Um dia eles passaram pelas ruelas da vida gritando pela liberdade!
Depois partiram pelas terras alheias jogando bombas, armando minas e destruindo
sonhos.
E a liberdade continuou lá, em sua gaiola de ouro.
Uma noite eles passaram por outras ruelas, com suas lanternas à
procura de fugitivos, que ousaram peitar o poder.
Distribuíram terror, semearam ódio, se utilizaram de todo
tipo de tortura para extrair a verdade.
E a verdade continuou lá, presa na garganta dos inocentes.
Numa outra ocasião, eles se reuniram numa cerimônia pomposa,
deram salvas de tiros e depositaram flores no túmulo do soldado
desconhecido.
E a mãe desconhecida do soldado desconhecido continuou no esquecimento,
solitária em sua cachoeira de lágrimas.
Depois eles passaram pelas ruelas do mundo oferecendo todas as possibilidades,
distribuindo porções de suas fortunas em troca das ilusões
que simplesmente escravizam.
E a ganância deles continuou lá, exigindo cada vez mais.
Tempos depois eles foram traídos justamente por sua ganância
e sucumbiram em ruínas sem que tivesse ocorrido um bombardeio apenas.
E o efeito de suas ações pisoteou ainda mais os que lá
em baixo faziam todos os esforços para subir alguns degraus.
Ainda restam muitos deles caminhando pelas ruelas da vida, mas apenas
fazendo pose.
Enquanto que a hipocrisia segue navegando em seu barquinho de papel em
meio à enxurrada do sofrimento alheio.
Ainda gritam pela liberdade, enquanto ela canta em sua gaiola.
Ainda jogam bombas e destroem sonhos.
Ainda perseguem inocentes em busca de uma verdade.
Ainda colocam flores numa sepultura qualquer...
E permanecem estendendo as mãos e um sorriso amarelado para que
seus escravos continuem acreditando que podem ser livres, que podem realizar
seus sonhos, que podem viver em paz.
Agora, a ganância é quem passa pelas ruas zombando desses
fantasmas vivos e hipócritas.
E o mais triste disso tudo, é presenciar numa esquina, um milionário
contando vantagens sobre seu caríssimo automóvel enquanto
na outra, alguém revira as latas de lixo para saciar a fome.
Onde ainda iremos chegar?
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