Tema 188 - ASSOMBRO
BIOGRAFIA
CIGANINHA
Zeca São Bernardo

Alma desfilava pelas ruas em seu vestido vermelho de finas rendas e com um enorme laço de fita amarela preso em seu cabelo. Passava os dias lendo a sorte do povo, homens, mulheres, velhos e crianças corriam sempre em sua direção para que a ciganinha lhes revela-se os mistérios de seu futuro. Á todos atendia com gentilezas e impecável educação, aceitava dos mais velhos algumas moedas e dos mais moços elogios e flores como pagamento.

Não pode conter-se ao ver o estranho que seguia apressado em seu terno negro devorando com os olhos a cidade á seu redor. Sede de vida pensou Alma. Isso lhe encantava. Abordou-o com a conversa de sempre, o homem relutou um pouco, mas, consentiu que a cigana lê-se sua sorte na palma de sua mão.

Alma procurou uma, duas, várias vezes pelas linhas nas duas mãos do homem sem nada encontrar. Decepcionada. Disse ao estranho que não conseguia ver seu futuro.

O homem olhou triste para a cigana, parecia confuso, transtornado foi embora.

Alma acompanhou com os olhos os passos apressados do homem até que ele desapareceu em meio à multidão. Sabia que um dia isso iria acontecer, sua vó uma vez ao ler-lhe sua sorte disse:
? Alma, um dia tentarás ler a sorte dum estranho sem linhas nas palmas das mãos... não se decepcione ou fique triste. O mundo mudará muito rápido e veremos muitos homens sem destino e, portanto, sem marcas nas mãos, nos pés e até duvido que neles habitem algum espírito.

No laboratório, oculto por traz das árvores do parque o auxiliar de engenharia robótica teve que cumprir o dever inglório de avisar seu superior que Adão 233, o protótipo de andróide fugira outra vez! Nocauteara um segurança, roubara-lhe a roupa e estava, mais uma vez, perdido em algum lugar da cidade. Lá fora...

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