Antes
de passar a fumar charutos,
eu não tinha estas feições paternas.
Era
eu, sim,
uma mistura que,
a depender dos olhos de quem via,
com a mãe ou com o pai, me parecia.
Fui
me perdendo aos poucos, de minha mãe, sem o sentir.
Acho que com ela, na verdade, nunca estive.
Nem
mesmo quando resolveu partir
fui lhe deitar a derradeira flor,
nem derramar a derradeira lágrima.
Dela,
os traços ficaram aprisionados
em fotos do passado,
para outras mãos passadas,
em velhos baús guardadas,
em álbuns,
em caixas de sapatos.
As
fotos, muito antigas,
das coisas, há tempos perdidas,
o foram em preto e branco.
Para
se dizer o que passou,
Outra cor não se precisa.
..............................................
Eu
não tinha estes cabelos brancos.
Eram
fartos,
foram grandes.
Eram pretos,
foram presos
em fotos do passado,
para outras mãos passadas,
em velhos baús guardadas,
em álbuns,
em caixas de sapatos.
..............................................
Eu
não tinha essa força estranha
De retratar-me passo a passo.
Eu
não tinha tempo no passado.
Para ver filhos crescerem
Para estar com os meus
Para dizer que os amava.
A
tudo aprisionava
em fotos muitas, coloridas,
para outras mãos passadas,
em velhos baús guardadas,
em álbuns,
em caixas de sapatos.
..................................................
E,
para que tantas fotos, se eu nem sei por onde andam as caixas de sapatos?
|