ECOS
Gisa Elle
 
 

Ouço vozes que retumbam...
Que ecoam no ambiente de minha sensibilidade...
Esta que é minha amiga, tão presente, tão carente...
Que dissipa afetos na intenção de uma...
Apenas uma conquista.
Esta que saudosa recorda dos tempos,
Dos momentos hoje ausentes, hoje distantes;
E luta por mais um instante...
Não aceita a realidade e luta com voraz coragem.
Sua meta?
A realização de um sonho;
A disseminação de uma quase fatalidade...

Ecoam murmúrios de distantes passagens,
E ainda assim atordoam, estes, minha moralidade.
Cometeria desvairos, loucuras atordoantes,
Mas meu bom senso equilibra a situação.
Ressuscita e resguarda uma louca aproximação.
Seu olhar me gelou com a combinação
De sentimento e confissão,
Assim conteve minha sede,
Sacrificou a duras penas minha amiga,
E acabou por despir de forma insana minha ilusão.

As vozes ecoam novamente,
Mas agora com maior intensidade.
Fazendo com que minha máscara de garota solitária caia,
E, mostre minha real caricatura...
A realidade me machucou e assim me fechei dura.
Busquei nas flores o amor, e uma abelha me dissipou seu ferrão;
Com medo das flores me abriguei em um vale, e a lava de um vulcão me atingiu, dessa forma endureci...

Ecoam as vozes dos ventos...
Neles outro nome se faz presente,
Outro rosto me compreende,
E como arqueólogo, este me trata com suavidade.
Minha amiga novamente vibra, canta e sorri,
Assim racha a crosta de lava que me envolve,
Para que eu possa ser novamente um forma preciosa da natureza...
Hoje amo outrém...
E assim, me amo também...